Alice no país das maravilhas

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Has Tim Burton fallen into the rabbit hole?

Eu não sou uma grande fan do Tim Burton. Há filmes que eu adoro, como Peixe Grande, e outros pelos quais eu ainda não o perdoei, Batman, mas uma coisa era certa, ele era um daqueles cineastas que tinha uma voz própria, que trazia algo para seus filmes e, por isso, eu estava louca para ver o que o endiabrado do Burton ia fazer com a pobre Alice. Fiz contagem regressiva, entrei em fila para comprar ingressos adiantados para a pré-estréia 3d e fugi ao máximo de spoilers, fotos, tudo que pudesse fazer a experiência menos emocionante. Não esperava que a experiência em si pudesse ser a menos emocionante possível.

Por que assistir Alice no País das Maravilhas? Bem, é um deleite para os olhos. Se você consegue abstrair a falta de história, os personagens mal apresentados, a atuação péssima da atriz principal, compre um pacote de pipocas, e vá fundo.

O que não fazer? Esquecer a pipoca, as balinhas ou o chocolate, os treats serão a melhor parte do filme. Levar seu filho para ver a versão dublada, o filme é um pouco mais dark do que as versões animadas, que pode acabar asustando a criança, e você vai perder a pouca atuação que o Depp teve espaço para fazer.

Tá, e o filme? Já de início a gente sente uma pontinha de angústia, a atriz que protagoniza o filme parece saber atuar tanto quanto uma rolha seca de vinho, mas, dá-se uma folga, afinal, a vida de uma mulher inglesa do século XIX prometida em casamento deve ser ainda menos emocionante a de uma rolha seca de vinho, mas ela continua assim por toda a história. Outros personagens têm seus momentos, mas parecem todos servir apenas como alívio cômico para distrair o público do fato de que não há nada de novo acontecendo na tela. E é assim que o filme vai, seguindo a receita de um bolo que não faz ninguém crescer.

Foi a maior decepção cinematográfica que eu tive nos últimos tempos. A Alice do Burton é meramente passável. Técnicamente Impecável, é claro, mas isso qualquer bom diretor com uma boa equipe de efeitos especiais poderia fazer, eu queria mais, queria uma visão autêntica, uma abordagem nova da história e o que presenciei foi uma Alice que, nas palavras do chapeleiro maluco “lost her muchness” (perdeu sua grandeza) para os clichês daquela que um dia foi a nossa Wonderland, Hollywood.

Vale a pipoca? Se você puder ver em 3d, sim.

O que eu aprendi com Alice no País das Maravilhas?

– Ser casada com o diretor não vai te garantir um papel em que tu não seja deformada fisicamente e ridicularizada na tela. (Helena Bon Carter e sua Rainha de Copas com cabeça de Melancia)

– Toda mulher boazinha demais tem uma irmã muito, muito má.

– Ser boazinha demais exige muito esforço e auto-controle – come to the dark side!

– Johnny Depp fica bem até com uma vassoura vermelha na cabeça e sem dentes.

– Tim Burton perdeu sua grandeza junto com a Alice.

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