Exam (2009)

Posted on Posted in resenha, Terror
Pôster: Exam
O filme é quase tão "bom" quanto o Pôster.

A falta do que fazer me proporcionou um novo vício, catar filmes B, pouco assistidos, pouco vistos daqueles que ninguém sabe ao certo porque existem já que não parecem brilhantes, não deram bilheteria, não nada (não fizeram coisa alguma pela humanidade), também conhecidos como filmes nada a ver, para assistir.
Bem o escolhido de ontem foi Exam (que pelo que eu catei na internet nem tem nome em português) de Stuart Hazeldine. A premissa do filme é até interessante: Oito candidatos talentosos que alcançaram o último estágio de um processo de seleção de emprego para uma empresa da qual não sabemos nada são levados a uma sala e tem oitenta minutos para responder a uma questão simples que determinará qual deles ganhará o emprego (ou os próximos oitenta anos da vida deles, como nos diz o instrutor). Há somente três regras: não tente falar com o guarda ou o instrutor, não estrague o seu papel e não saia da sala. Infringir qualquer uma dessas regras implica em desclassificação imediata.

Any questions?

O instrutor se retira e o filme começa propriamente dizendo quando os candidatos se dão conta que não há nenhuma pergunta visível nas folha a frente deles. Nesse ponto acho que todo mundo que já esteve numa entrevista de emprego pode empatizar. A dúvida, a desconfiança e a insegurança percorrem a sala. Uma das candidatas vira a folha de papel e começa a escrever, imediatamente o segurança a retira de lá. Quem segurava o lápis o larga na mesma hora e todos ficam com cara de paisagem até um espertinho chamar atenção para o fato de que o instrutor não os proibiu de falarem uns com os outros e, talvez, eles devam cooperar para encontrar a pergunta.
E é ai que a baixaria começa. Os personagens logo se reconhecem como estereótipos: o empresário branco com sede de poder que bota a casa abaixo, tirando a sua maior competição, a mulher de negócios; o negro de fé que quase vira extremista e quase morre; o latino/muçulmano malandro que pratica tortura e quase comete homicídio por negligência; a psicóloga, que aliás, tem sérios problemas mentais, sabe tudo sobre a empresa, fica analisando todo mundo e acaba eliminada por tentar salvar outro candidato; louco que é francês, é expulso depois de rasgar o papel e colocá-lo na boca, parecendo um personagem dispensável para quem não conhece o truque do primeiro Jogos Mortais, enquanto a loira fica no canto com cara de pastel. É, de fato, impressionante como o filme consegue ser tão ofensivo para tantos tipos diferentes em apenas 80 minutos.
Por que exatamente o diretor e roteirista Stuart Hazeldine foi indicado ao BAFTA de debut impressionante por essa mistura bizonha de o Aprendiz com Jogos Mortais? Essa foi a pergunta sem resposta para mim. Quanto a pergunta da entrevista, eu já dei esse spoiler no início do texto. “Any questions?” E quem melhor para dar a resposta que eles querem – “Não!” – ao francês louco, que no fim das contas é o cientista que descobriu a cura para uma doença pandêmica, do que a loira pastel?
A mensagem que podemos tirar desse filme é: quando em uma entrevista de emprego, faça cara de paisagem, aguarde pacientemente, não destrua a sala da instituição e não tente assassinar ninguém. Se você já sabe tudo isso, poupe-se desse filme.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *