A órfã – Spoilers

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Assim como o pôster, a órfã não passa de uma enganação barata.

Depois de perder um filho, por circunstâncias que o roteiro não explica bem, mas supõe-se que tenha a ver com o alcoolismo mencionado da personagem, Kate Coleman (Vera Farmiga) e seu marido, John (Peter Sarsgaard) resolvem adotar uma criança para “dar todo o amor que tinham pelo bebê que morreu no útero, a uma criança que realmente precisava”. Até ai tudo bem, bem clichê, mas enfim… por que diabos uma família com dois filhos ia querer adotar Esther, a criança mais estranha/assustadora do orfanato inteiro? As coisas já não seriam complicadas o suficiente com uma criança normal? Não para esse casal, que mesmo depois de ver a estranheza toda decide levar a criança pra casa, sendo que só fazem duas perguntas a respeito dela, de onde veio – rússia – e se ela se socializa bem. “Quando preciso, ela pode se sociabilizar bem” avisa a freira, só faltou adicionar um “e isso é um sinal de sociopatia”.

Chegando em casa, a demoniazinha já começar a causar ciúmes no filho mais velho do casal, Daniel, roubando a atenção de seu novo “Daddy”, afinal, ele é um arquiteto e ela gosta de pintar, quer mais motivo para esquecer seu primogênito por uma criança que você acabou de conhecer? A pestinha sabe o lado de chegar e já vai conquistando a filha mais nova do casal, Max, aprendendo libras, já que a menina é surda.

Dai pra frente, coisas que deveriam ser estranhas, mas são mais do que esperadas para o gênero começam a acontecer, a menina atira uma criança de um escorregador, mata uma pomba e uma freira do orfanato (tá, eu confesso, essa última foi estranha mesmo), tendo sempre como cúmplice, Max.

O pico da história deveria ser quando Esther começa a colocar John contra Kate, mas isso se desenvolve de forma tão chata, que exceto pela cena de auto-mutilação, o filme começa a dar sono e a gente sente que está sendo arrastado junto com a história. Então Esther coloca fogo na casa de árvore de daniel, com ele lá dentro, claro, pois o menino estava prestes a descobrir sobre o assassinato da freira, numa tentativa clara do diretor de acordar o público que a essas alturas já assiste o filme com um olho fechado, no entanto, tudo que consegue é que fechemos o outro olho quando John passa de desconfiado da esposa à completamente idiota, não querendo acreditar nas coisas que estão na frente dele.

E é mais ou menos por ai que vem o “grande” desfecho, a menina é, na verdade, uma mulher de 33 anos. Oooooooooooooh! sério mesmo que aquela criatura que se referia a sexo como “foda”, sabia tocar peças complicadas no piano e falava como uma velha não era uma criancinha de 9 anos? Pois é, nem de surpresa o filme consegue nos pegar, menos mal, já que essas alturas 90% do público já está a roncar na sala de cinema.

Alguém pode argumentar que, pelo menos, não é um filme sobre uma criancinha que tem um pacto com o diabo, mas entre plots mal-acabadas (por que Kate perdeu o bebê? quando ela virou alcoolátra? e qual é a história com o lago coberto de gelo afinal) e um filme que se arrasta por duas horas é difícil essa premissa “terrir” funcionar. Eu preferiria ter visto um filme em que o fato da órfã ter sido adotada para substituir um filho perdido causa problemas na família.

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